O estranho carnaval em São Paulo

carnaval em São Paulo

A Vivian com o Tiago e amigos!

Carnaval em São Paulo sempre foi significado de “fugir de Sampa”. Pelo menos essa sempre foi a minha visão.

Não curto escolas de samba (já me disseram que se eu for ao sambódromo mudo de ideia, mas nunca tive realmente vontade de ir).
Ou eu viajava (e preferia locais sem carnaval – rsrsrsrs) ou me entediava na SP vazia.

No entanto, de uns anos para cá, o modelo tedioso do carnaval em São Paulo começou a mudar… começou a criar sua própria cara.

Isinha no bloco da Baixa Augusta

O povo invadiu as ruas, os bloquinhos existentes ficaram maiores, muitos bloquinhos foram criados e o carnaval em Sampa City começou a ser mais alegre, divertido e muvucado.

Não sei precisar, mas creio que essa mudança ocorreu uns 3 ou 4 anos atrás. Pelo menos foi o período que comecei a me dar conta da festa aqui no centro!

Conversei com quatro amigas festeiras que amam carnaval (a Viviane, Renata, Vivian e Isa), que moram entre os bairros da Santa Cecília e Barra Funda e com minha cunhada (Raúla), que foi 2 anos consecutivos no bloco 77 (originais do punk).

Elas me disseram que antigamente os bloquinhos eram pequenos, em bairros isolados e muitos (como o Tô de Bowie e o  Espetacular Charanga do França) eram apenas brincadeira entre amigos e moradores do bairro.
A Rá, que não é de Sampa, comentou que neste ano o bloco 77 estava menos muvucado (mas parece que o dia que eles foram estava garoando!)

Porém, todas foram unânimes em  me dizer: a cidade está mais cheia no carnaval e os bloquinhos absurdamente lotados! Na maioria não dava nem mesmo para ouvir a música! 

Meu primeiro carnaval em São Paulo:

Foto do site Hypeness

O primeiro convite para participar dos bloquinhos do carnaval em São Paulo recebi da Viviane. Foi para participar do “Tarado Ni Você” em 2014.
O trio elétrico só toca Caetano Veloso e sairia da famosa esquina da Ipiranga x São João.

🎵 Alguma coisa acontecem em meu coração……🎵

Como moro a poucas quadras do local, fomos! Me lembro que estava grávida de quase 3 meses e aproveitamos para também anunciar a nossa grande novidade (até porque, eu iria passar todo o carnaval bebendo apenas água e suco – rsrsrsrs. Todos iriam perceber).

Foi tudo muito tranquilo!
Devíamos ser umas 500 pessoas, talvez nem isso e demos toda a volta pelo centro, cantando alegremente até que a chuva nos fez retornar para a casa.

Naquele ano fui atrás de outros bloquinhos! Aqui no centro teve bloquinhos durante toda a semana até terminar o carnaval!  Praticamente 10 dias de festa!

Tudo tranquilo, pouca gente e delicioso (exceto, claro, para quem estava parado no trânsito querendo voltar para casa). O mais cheio e muvucado daquele ano, que parou o transito da Consolação x Av. São Luis, foi o Ilu Oba de Min, que se concentrou em frente ao Estadão.

Na Vila Madà a situação foi quase idêntica: muita festa, muita gente e um trânsito infernal (a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego – não havia pensado na aglomeração das pessoas).

Depois disso, abriu a “porteira”.

Aguardando bem longe o “Tarado” sair. 1° carnaval do Léo!

Nos anos seguintes, a galera percebeu que a festa estava boa! Muitos outros bloquinhos foram criados e o carnaval em São Paulo foi muito divulgado nas redes sociais.

A CET e a policia se organizaram melhor e muita gente resolveu continuar na cidade. Parece inclusive que muita gente viu São Paulo como um destino turístico para o carnaval e veio para cá!

Resultado: muita festa, muitos bloquinhos e muita gente na rua! Até morte ocorreu (no Tarado) e obviamente, muitos furtos.
Tentamos participar em 2015 do Tarados com o Leo no sling. Circulamos apenas um quarteirão e desistimos: estava tão lotado que não dava para ouvir o som.

E assim foi com muitos outros bloquinhos!


Mas porque achei que o carnaval em São Paulo ficou estranho neste ano?

Como disse acima, moro no centro de SP, em frente à Praça da República e sempre que ocorre algum evento por aqui, participo por osmose (rs).

A galera do Jegue Maluco sendo obrigado a ir para o centro da praça. Enquanto isso, aparecia uma festa “rave”.

Este ano, assim como os anos anteriores, o carnaval começou uma semana antes! Ouvimos algumas marchinhas de carnaval e alguns axés, mas sabem o que predominou aqui no centro????? Música eletrônica!
Exato!
Pelas minhas contas, em 3 semanas (sim! Teve festa no finde até mesmo após o carnaval) passaram pela Praça da República pelo menos 7 caminhões cegonha, com som alto de festa tipo “rave”. Praticamente todas estavam lotadas!

Juro: foi infernal! Em muitas, não dava para ver o chão de tanta gente!

A galera passeava com garrafa de catuaba e de um vinho de nome Randon (me arrepio sò de pensar)…
E a cada passo que dávamos, víamos alguém passando muito mal ou pessoas (homens e mulheres) fazendo xixi no meio da rua (sem pudor… sem se esconder.. no meio de tudo).

A Renata, que circulou por essas festas doidas, disse que rolou de tudo!!

Essas festas ou se concentraram ou terminaram na praça. Mesmo com os vidros das janelas fechados (que diminuem muito o barulho da rua), a gente não conseguia se falar dentro de casa.

Alguns áudios de WhatsApp eu precisei fazer no banheiro! Hahahahaha.
E citei acima apenas as que eu fui obrigada a participar por osmose! Certamente teve muito mais inclusive pelo centro!

Mas no centro só teve muvuca?

Não!
Passaram pela Ipiranga blocos pequenos, com musiquinhas gostosas de se ouvir (marchinhas). A maioria com carros ou caminhões de som bem pequenos. Teve um que passou por aqui no qual a galera empurrava as caixas de som com um carrinho de mão (rs).
Teve um que deu até dò! Tinha um boneco de jegue no caminhão! Acho que era o Jegue Maluco (ou algo assim). Eles estavam se concentrando na praça quando um caminhão cegonha estacionou com música eletrônica em alto e bom som! Eles foram obrigados a entrar na praça e só conseguiram sair de là (pela 7 de Abril) após umas 2 horas (quando a “rave” decidiu prosseguir o seu curso).

Perguntei para outros amigos que circularam por SP durante o carnaval e eles também me disseram que os bloquinhos estavam mais lotados neste ano e que a festa durou por muito mais tempo que os anos anteriores (coitado dos moradores!!!!! O centro de SP não é apenas uma zona empresarial).

A Viviane me disse que não pretende passar o carnaval em SP no ano que vem. Motivo: ela não curtiu a muvuca.  A Isa disse que entrou em contato com o pessoal do “Charanga” (que toca no chão), pensar em um caminhão para o ano que vem. A Vivian disse que o “Agora Vai” infelizmente não sobe mais o minhocão, mas que a folia anda é boa e pouco muvucada!

E eu, que estava começando a curtir o carnaval,  irei torcer para ficar longe de minha casa durante as 3 semanas de carnaval paulistano!

;(

Crédito das imagens usadas neste post: Vivi Goes, Vivi Lima, Isa Silva, Hypeness.com.br, Renata Zacchi


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About Juliana (www.turistando.in)

Sou a mãe do Léo quase full-time, professora de italiano (por algumas horinhas), esposa de um doutorando (que me deixa maluca) e, claro, a faz-tudo do Turistando.in!

12 thoughts on “O estranho carnaval em São Paulo

  1. Os blocos de carnaval estão fervendo nesse último ano, como não curto muito nunca participei, moro em um local de São Paulo mais tranquilo então não tenho problema com barulho e tudo mais, mas como tudo que gera público na cidade deve ser fiscalizado pra não gerar apenas folia e descaso.

  2. Oi, Ju! Adorei o post! <3
    Sobre o Carnaval aqui em Sampa, realmente parece que agora o pessoal pegou "gosto pela coisa". Eu não curto muito a muvuca, pra falar a verdade, só fui mesmo no Bloco 77 nesses dois anos, pois é mais tranquilo. Tenho um pouco de fobia dessa aglomeração, haha.
    Vamos torcer pra você ter paz nos próximos, haha.
    Beijo!

  3. Sou carioca e adoro Escola de Samba. Ia muito aos ensaios do Salgueiro quando morava no Rio. Mas não gosto de muvuca e só fui a bloco uma vez, em 2005, levar meu marido inglês, mas tava tão quente que paramos no meio do caminho. Me arruma um camarote no Sambódromo que eu curto a noite toda. Mas muvuca, tôfora!

  4. Eu brinco que sou um “fake brazilian”, não gosto de futebol, carnaval, café. A única coisa que realmente gostava do carnaval quando ainda morava no Brasil era o feriado prolongado. Agora para quem gosta deve ser interessante ver essas mudanças acontecendo de uns anos para cá.

  5. Não sou o maior dos fãs do carnaval, mas ADORO tudo o que é expressão e criatividade popular. Isso faz com que respeite e aprecie essa avalanche de folia normalmente bem mais genuína no Brasil do que no meu Portugal, onde valorizo mais as tradições de pequenas aldeias.

  6. Sou do Rio e moro no meio do caldeirão hahaha isso me fez ser um pouco traumatizada com carnaval, pois é 24h baderna rolando na minha janela. Aí eu prefiro me esconder mesmo.
    Mas que loucura esse carnaval de sp com música eletrônica, né? Bom, pelo menos eu acho que isso dá um pouco mais de ar paulista ao feriado, não é de todo, todo ruim, por mais que destoe. Adorei ler essas loucuras todas!

  7. Quando comecei a ler seu post lembrei do Rio 10 anos atrás, era a mesma coisa. Hoje a cidade está insuportavelmente cheia e voltei a fugir desse tipo de carnaval novamente.
    Espero que não aconteça o mesmo com Sampa.

    bjs
    Dani Bispo
    abolonhesa.com

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