A Bernauer Straße e o Memorial do Muro de Berlim

Memorial do Muro

O Memorial do Muro de Berlim

Pedaço do muro em Potsdamer Platz, com a linha marcada no chão indicando onde o muro passava (e a transeunte seguindo a linha)

Diria que é quase impossível ir para Berlim e não ter a curiosidade de conhecer pedaços do muro. Você pode vê-los espalhados pela cidade, mas visitar o Memorial do Muro de Berlim é tentar entender como era isso tudo no passado!

Berlim não quis apagar as cicatrizes do passado e nos locais onde o muro representava um grande conflito, há marcas mostrando isso.

Claro que em muitos casos, vira escultura turística, mas tudo bem! rs

Nas saídas da estação Potsdamer Platz, você pode encontrar algumas. Tanto perto do Sony Center, como um pedaço de muro perdido e bem grafitado no meio de uma praça (foto ao lado).

East Side Gallery
Euzinha, no final da East Side Gallery

Eu diria que o melhor local para o turista apressado ver o muro é a East Side Gallery. Uma grande parte do muro ainda intacta virou espaço para os grafites mais famosos do mundo.

Mas ali tudo parece bonito e divertido. Quer conhecer o lado duro da história?

Vá para a Bernauer Straße (Straße significa Rua e se lê e às vezes se escreve Strasse) e caminhe pelo trecho entre a BrunnenStraße e GartenStraße, que estão entre as estações S-Bahn Berlin Nordbahnhof e a U8 Bernauer Straße.

A Bernauer Straße

O Memorial do Muro de Berlim

Nos dias de hoje, com a cidade totalmente reconstruída, é difícil imaginar como era após a guerra e antes de 1989.
A ideia de que era apenas um muro saiu de minha imaginação quando descobri que existiam 2 muros e que no meio deles, havia uma faixa, chamada faixa da morte, com guarita, arames farpados, iluminações, entre outros.

Como era realmente o muro (2 muros e a faixa da morte). Imagem de Ericmetro, via Wikimedia Commons

Depois que descobri isso, sempre me perguntei: “Mas a cidade estava tão devastada assim a ponto de ter todo esse trecho livre?”.
Boa parte sim! Lembre-se que a 2° GM destruiu a cidade, mas haviam pontos no qual o muro passava ao lado de casas. Haviam trechos nos quais casas e prédios acabavam formando parte do muro e a Bernauer Straße foi um desses trechos.

Creio, inclusive, que essa rua tenha sido uma das, senão, a pior parte. Aqui também foi palco de muitas tragédias, conflitos e separações. Imagine você, morando perto da família e dos amigos e de repente, começam a colocar arames farpados no meio da rua e tempos depois, um muro dividindo a casa de vocês?

Ou então, imagine a depressão em sair da porta de casa e ver um muro alto no meio da rua, sabendo que teus amigos e familiares estão do outro lado? Que existe um outro mundo do outro lado e que você não pode ir!

Tem fotos tristes de familiares se saudando entre as farpas e entre os muros, mas também vídeos de pessoas pulando janelas altas ou saindo de túneis. Sem contar nas pessoas que faleceram tentando mudar de lado.

Tudo isso você pode imaginar circulando por aqui.

O MauerPark com o muro ao fundo

Há uma boa parte do trecho no MauerPark (se puder, o visite em um domingo) e outra grande parte na rua, naquele trecho que citei acima. A localização está indicada no mapinha acima.

Barras de ferro indicando onde estava o muro e, ao fundo, os sinos da igreja

Mas voltando à Bernauer Straße, o trecho onde no passado havia o muro, há barras de ferro (indicando onde era o muro) e o trecho considerado “zona da morte”, virou uma área verde com diversos painéis mostrando coisas que ocorreram na época.

Há marcação no chão indicando cômodos de algumas casas que foram destruídas para a construção desta faixa (Neste video você consegue imaginar como era. Eles reconstruíram em 3D como era essa rua e como o muro afetou as casas da região).

Ah, aqui você também encontra os caminhos de túneis de fuga (no meu àlbum do Flickr tem fotinhos)!

No local onde havia a igreja da Reconciliação (Kapelle der Versöhnung), derrubada em 85 por estar no meio da faixa da morte, ergueu-se uma capela redonda (porém é possível ver no chão os sinos da igreja e o local onde ela ocupava).

A capela da Reconciliação

Nas paredes dos prédios, há reprodução de fotos que marcaram a época, como a famosa cena do “Pulo do Soldado Conrad Schumann” (Mauerspringer ou Wall jumper) , imortalizada pelo fotografo Peter Leibing.

O 1° Mauerspringer, antes mesmo da construção do muro

No meio do caminho, o “muro de mentira” feito com aquelas barras de ferro, torna-se muro de verdade.
Eles mantiveram um trecho intacto, fechado ao público e limpo (sem grafites ou pichações).

Do outro lado da rua, é possível subir gratuitamente até o terraço do prédio do Memorial do Muro e ver como era o muro. Ou melhor: os 2 muros e a faixa da morte.

O local do memorial é perfeito, pois, além de ter em sua frente uma parte dos muros intactos, ele está bem na direção da torre de TV, símbolo de Berlim, na época, da Berlim Oriental.

De lá de cima também dá para ver o teto da Sinagoga, da Catedral (Berliner Dom) e do Sony Center.

Ah, e apesar de toda a carga negativa, podemos também apreciar um belíssimo pôr do sol. A foto abaixo tirei de lá de cima em um entardecer!

A torre de TV em AlexanderPlatz e a cúpula da catedral de Berlim

O memorial do muro também mostra fotos que contam a história daquela época (algumas fotos reproduzi no início deste post).

Saindo deste prédio e indo em direção à estação Berlin Nordbahnhof, está a continuação do prédio da Gedenkstätte Berliner Mauer (ou Memorial do Muro) e você ainda pode continuar a visitação histórica dentro da própria estação de metrô, com fotos e explicações de como era a estação naquela época.

O Memorial do Muro de Berlim
Mapa das estações de fantasmas de Berlim (fonte Wikipedia)

Essa era outra curiosidade que eu tinha e aqui descobri que as estações que estavam dentro da zona oriental e que passavam pela zona ocidental haviam sido desativadas. Na época, ficaram conhecidas como estações fantasmas (Geisterbahnhof).

Os trens passavam, mas não paravam. A exceção se dava para a estação Friedrichstraße que, por ser uma estação que interligava outra linha que seguia para o lado ocidental, foi mantida aberta apenas para baldeação (e para ingresso apenas de pessoas que tinham permissão).

Para quem tiver mais interesse, outros vídeos interessantes:
http://www.the-berlin-wall.com/videos/escaping-on-bernauer-strasse-534/ e http://www.bild.de/regional/berlin/news-inland/chronik-des-schreckens-19375738.bild.html

Clique nas fotos para ampliar!

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About Juliana (www.turistando.in)

Sou a mãe do Léo quase full-time, professora de italiano (por algumas horinhas), esposa de um doutorando (que me deixa maluca) e, claro, a faz-tudo do Turistando.in!

12 thoughts on “A Bernauer Straße e o Memorial do Muro de Berlim

  1. Eu adoro estes lugares que tem importância histórica!

    Existe diversos casos, que as famílias foram separadas literalmente por conta do muro. Não consigo imaginar como era a vida por lá, naquela época!

  2. Oi Juliana! Apesar de a foto do por do sol ter ficado linda, eu ainda fico imaginando todo o sofrimento que essas pessoas passaram (algo paradoxal, he he he). MUITO INTERESSANTE ver a questão do muro duplo. Eu nunca tinha pensado que ele era dessa forma. Parabéns pelo post super informativo…
    Abraços
    Carolina

    1. Oi Carol
      Obrigada!
      Eu tbm, fiquei surpresa quando soube dos 2 muros! Na verdade foram muitos anos de muro; a cidade passou por vàrias etapas.. começou com trincheira, depois com uma mureta, o muro propriamente dito até que resolveram criar a tal da faixa da morte. Eu li històrias que me deixaram tão mal…. Não consigo imaginar como deva ter sido para quem vivenciou isso!

  3. Curto muito estes destinos carregados de história… Espero que em um próximo embarque, eu possa conhecer isto tudo! Muito interessante o seu post, parabéns!

    Um abraço!

  4. Essa parte da história que a gente não pode esquecer! E memoriais assim são mais que necessários… Excelente post 🙂 Obrigada pelas super informações, o assunto é pesado, mas ficou fácil de ler aqui 🙂

  5. A história do muro é triste demais. Até hoje é difícil imaginar que algo assim aconteceu, que de um dia para o outro um muro foi erguido e separou famílias por tanto tempo. É o tipo de história que não pode ser esquecida para não se repetir.

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